Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui

Dano por Objeto Estranho II
A seguir você ficará sabendo um pouco mais sobre FOD's e terá dicas de como evitá-los durante a operação da aeronave.
Nesta edição estamos trazendo a continuação do artigo 'Danos por Objetos Estranhos', iniciado na última edição do Boletim Técnico ATT. Na edição anterior, mostramos como objetos 'acima de qualquer suspeita' podem danificar o motor da aeronave. Agora, vamos mostrar como objetos estranhos podem provocar danos também em outros sistemas ou componentes da aeronave e que, assim como dos casos em que o motor é atingido, podem ser responsáveis por acidentes aeronáuticos.
Danos aos pneus - Trata-se de uma ocorrência tão corriqueira que, geralmente, pouca atenção lhe é dedicada. Mas o problema se reveste das duas características que impulsionam a atividade da prevenção: alto custo e elevado potencial de perigo. Para uma empresa aérea de médio porte, o custo decorrente da perda de pneus, por não apresentarem as condições mínimas para o trabalho de recauchutagem, podem chegar a centenas de milhares de dólares por ano. O risco de se perder o controle da aeronave durante o pouso devido a FOD existe e não deve ser desconsiderado. Evidentemente, o risco associado à ocorrência de FOD nas rodas não se resume aos pneus. Há, por exemplo, registros de objetos que causaram danos aos sistemas de freio atingindo o disco e mesmo as tubulações hidráulicas.
Contaminação- Outra ocorrência de FOD extremamente comum, mas não menos perigosa, é a contaminação de sistemas por objetos ou mesmo produtos (gases e líquidos) estranhos àquele meio. São exemplos comuns a contaminação do combustível por água, do óleo por partículas metálicas ou mesmo do oxigênio por outros gases ou fungos. Todos com elevadíssimo potencial para a ocorrência de um acidente.
Colisão com pássaros - São muito comuns, especialmente no Brasil, quando consideramos as dimensões e o peso dos pássaros mais comumente envolvidos nos casos de colisão em vôo: o urubu, que pode chegar a 2,5 quilos. É que a problemática tem como chave o produto 'massa X velocidade', que graças à velocidade da aeronave transforma o pássaro em algo parecido com um projétil de artilharia.
Interferência de objetos soltos na cabine - Isso mesmo! Objetos soltos na cabine, como uma simples caneta ou prancheta, podem caracterizar FOD. Como exemplos, podemos citar a ocorrência de um piloto que perdeu o comando da aeronave devido a uma prancheta caída à base do manche , ou da perda de controle direcional no solo, devido à interferência de uma caixa elétrica esquecida pela manutenção no piso, atrás dos pedais. Ambos casos em que a simplicidade do fato não reduz o potencial de risco de suas conseqüências.
Interferência de Objetos em outros sistemas - Os serviços de manutenção podem se tornar fontes potenciais de FOD às aeronaves de sua própria organização, quando realizados com displicência e falta de supervisão. Já se tornou famoso, por exemplo, o caso apresentado em filme, em que um alicate é esquecido pelo mecânico à entrada de ar de uma aeronave pouco antes de um vôo, e que acaba por ocasionar a queda do avião. Há casos de menor custo, mas não de menor potencial de risco, em que a ferramenta foi esquecida no interior da estrutura da aeronave (asa) e provocou o travamento dos cabos de comando do aileron. As possibilidades são as mais diversas.
Prevenção -O trabalho de prevenção do FOD depende em grande parte da manutenção, inspeção e limpeza do avião e do ambiente que o cerca. Porém, na operação da aeronave algumas medidas também podem ser decisivas para se evitar FOD.
Durante a operação da aeronave no solo, deve-se evitar o uso de potências mais elevadas, com o intuito de evitar o 'sopro' de detritos para a área de operação ou para a entrada de ar de outras aeronaves.
No táxi, deve-se evitar a realização de 'cortes' nas curvas, de forma a evitar que os motores passem sobre as áreas não pavimentadas. Isso contribui para a prevenção do FOD tanto para a aeronave que taxia quanto para as que a seguirão. Especial atenção deve ser dedicada às aeronaves de grande envergadura e com motores afastados da fuselagem, pois em muitos casos, mesmo realizando-se um táxi sobre a 'faixa-guia' poderá acontecer dos motores externos não estarem sobre a pista.
A preocupação com relação ao sopro da aeronave em operação deve estar presente na delimitação dos pontos de estacionamento (distanciamento dos boxes) e na marcação das faixas de táxi do piso. Deve-se evitar o táxi próximo da aeronave que o antecede.
O táxi com o canopy aberto é um procedimento que deve ser sempre evitado face ao risco de objetos - especialmente cartas - serem soprados para fora e ingeridos pelos motores. Diante da necessidade de fazê-lo, deve-se certificar da fixação destes no interior da cabine. A decolagem em formatura é uma situação de elevado risco de FOD para as aeronaves de trás - o máximo de atenção é sempre recomendado.
O uso de protetores de entrada de ar nos motores das aeronaves estacionadas, tanto em pátios como em hangares, em sede ou não, é fundamental para a redução do risco de danos por objetos estranhos (detritos soprados, acumulo de chuva, presença de pequenos animais etc). Por outro lado, a inspeção de pré-vôo ou mesmo a 'externa' não podem ser negligenciadas, sob o risco de se fazer do próprio protetor instalado o objeto ingerido.
Fonte: Adaptado de apostila do Cenipa.
Colaboração: Cmte. Rui Mota
Publicado no Boletim Técnico da Associação de Tripulantes da TAM (ATT)

Criado em 04/07/2005.
Voltar
Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui
